O que é tendinite?
A tendinite é um processo inflamatório que afeta os tendões – estruturas fibrosas que conectam os músculos aos ossos e transmitem a força necessária para o movimento articular. Quando o tendão está inflamado, os movimentos se tornam dolorosos, limitados e, muitas vezes, prejudicam a funcionalidade no dia a dia.
Hoje, muitos profissionais preferem o termo tendinopatia, já que em muitos casos não há inflamação ativa, mas sim um processo degenerativo das fibras do tendão — o que exige uma abordagem terapêutica mais ampla e estratégica.
Por que os tendões sofrem?
A origem das tendinites geralmente está na combinação de sobrecarga física, desequilíbrios posturais e disfunções sistêmicas, mas também pode envolver fatores emocionais e psicossociais pouco explorados pela medicina tradicional.
➤ Fatores físicos e mecânicos:
- Movimentos repetitivos
- Sobrecarga por treinos ou esforço laboral
- Falta de mobilidade articular
- Desequilíbrios musculares
➤ Fatores sistêmicos:
- Diabetes, dislipidemia e obesidade
- Uso de medicamentos como corticoides, estatinas, quinolonas e inibidores da aromatase
- Doenças autoimunes
➤ Fatores emocionais e neuroregulatórios:
A Psiconeuroimunologia Clínica (PNIc) aponta que dores crônicas, como as tendinopatias, podem ser manifestações físicas de conflitos emocionais não resolvidos, especialmente os que envolvem impotência, desvalorização, frustração ou dificuldade em agir.
Onde entra a osteopatia?
A osteopatia é uma abordagem terapêutica manual que busca identificar e tratar as causas das disfunções corporais, e não apenas os sintomas. Ela considera o corpo como uma unidade — interligada em suas estruturas físicas, fisiológicas e emocionais.
Em casos de tendinite, a osteopatia avalia:
? A biomecânica geral do corpo – muitas vezes o problema no tendão é reflexo de um bloqueio em outra articulação, coluna ou fáscia.
? Tensões miofasciais que perpetuam o sofrimento do tendão.
? Alterações viscerais que podem gerar sobrecarga postural.
? Relações neurovegetativas ligadas ao estresse, sono e digestão — elementos que interferem diretamente na regeneração dos tecidos.
? A abordagem osteopática ajuda o corpo a retomar sua capacidade de autorregulação, facilitando a recuperação do tendão de forma mais completa e duradoura.
Tipos de tendinite e suas possíveis ligações emocionais
1. Tendinite do ombro (manguito rotador)
- Afeta os tendões que estabilizam o ombro, como o supraespinal.
- Possível emoção associada: sentir-se sobrecarregado, com “peso nos ombros”, responsabilidades excessivas.
2. Tendinite do cotovelo (epicondilite lateral ou medial)
- Conhecida como “cotovelo de tenista” ou “de golfista”.
- Conflito simbólico: dificuldade em soltar o controle, tensão entre agir e recuar.
3. Tendinite do punho
- Afeta quem realiza movimentos manuais repetitivos.
- Possível origem emocional: medo de perder o controle, insegurança em “segurar” ou “largar” uma situação.
4. Tendinite do quadril (glúteo médio ou psoas)
- Relacionada à postura, marcha e estresse sobre o eixo pélvico.
- Emoções associadas: dificuldade de seguir adiante, instabilidade nas decisões.
5. Tendinite do joelho (tendão patelar)
- Comum em esportistas e em contextos de impacto repetitivo.
- Conflito simbólico: dificuldade de se curvar frente a figuras de autoridade, orgulho ou rigidez emocional.
6. Tendinite do tornozelo (tendão de Aquiles ou tibial posterior)
- Presente em quem caminha ou corre muito, ou usa salto alto com frequência.
- Emoções relacionadas: medo de dar o próximo passo, sensação de instabilidade frente ao futuro.
Sintomas de tendinite
- Dor localizada que piora com o movimento
- Rigidez ou limitação articular
- Sensação de calor, inchaço ou vermelhidão
- Diminuição da força muscular
- Sensibilidade ao toque no trajeto do tendão
Tratamento convencional x tratamento integrativo
O tratamento tradicional inclui:
- Repouso e ajustes na atividade física
- Uso de gelo e anti-inflamatórios (em fases agudas)
- Fisioterapia com foco em mobilidade e fortalecimento
Porém, muitos pacientes não experimentam alívio duradouro porque o foco permanece no sintoma — e não na causa.
O diferencial da abordagem integrativa com osteopatia e PNIc:
✔ Avaliação da postura e mobilidade articular global
✔ Identificação de tensões miofasciais e víscero-somáticas
✔ Investigação de padrões emocionais que possam estar impactando o sistema neuromuscular
✔ Intervenções que promovem autorregulação, equilíbrio e redução do estresse crônico
Conclusão
As tendinites são muito mais do que inflamações localizadas. Elas são sinais do corpo pedindo atenção para algo que está além do tendão: desequilíbrios posturais, sobrecargas emocionais, bloqueios de movimento — físicos ou simbólicos.
Unir os conhecimentos da osteopatia com os princípios da Psiconeuroimunologia Clínica é uma das formas mais eficazes de tratar essas dores de maneira profunda, personalizada e duradoura.
Escutar o corpo é o primeiro passo para curar de verdade.